pelo sim pelo não

Não contem comigo para estas coisas.

do feminino e afins

Quem lê o que eu escrevo por aqui já reparou que eu sou lésbica, uma lésbica que gosta de mulheres. 

Mas espera aí? Isso não é suposto ser assim?

Não... O género feminino tem toda uma paleta colorida, que vai desde a mulher com muito pêlo na venta mais masculina do que o meu pai até à princesa da ervilha. E todas elas gostam de mulheres. Mas nem sempre daquelas a que eu me estou a referir. 
Porém, isso dava umas quantas linhas, linhas essas que eu ainda estou a burilar na minha mente: o que é ser mulher? 
Tendo em conta que, desde que eu ando neste mundo, o nosso planeta só deu 36 voltas ao sol, eu própria ainda ando a descobrir isso. 

Talvez isso contribua para a minha felicidade, talvez não. 
Mas o que contribui mesmo para a minha felicidade é saber como gosto de ser tratada pelos outros. 
E isto é saber de experiência feito. Portanto, em jeito de resumo da matéria dada (pensavam que eu tinha deixado de férias os tiques de professora...)

Duas formas absolutamente irritantes de tratamento com que o género feminino me pode presentear:
#1 Ela sempre é um gentleman, faz uma espécie de vénia (como se fosse um cavalheiro do século XIX), acha que percebe tudo de vinhos, de fotografia, que sabe sempre o caminho e age como um homem mesmo não o sendo, tirando aquela parte do segurar a cintura com firmeza (que só os homens conseguem graças à sua musculatura, benza-a Deus). Senhores, se eu quisesse namorar com um homem, namorava, que pretendentes não faltam e a curiosidade já foi menor.

#2 Ela é uma princesa. Pode até ter quase 50 anos, mas é uma princesa. Faz pouco mais do que existir, sorrir e ser gira e agora o mundo que rode todo à sua volta, que a entretenha, que a passeie, que a faça rir, que a leve a muitos sítios giros e que lhe conte muitas histórias engraçadas. São doces, é certo, e sensíveis e meiguinhas e egoístas, mas não tarda estão a tratar-me como se eu fosse um homem e como tenho muito pouco jeito para tal coisa, tenho de sair de cena.

A sabedoria popular tem toda a razão em dizer que no meio é que está a virtude (mesmo não sabendo o povo que a sabedoria dele se aplica a um caso como este, coisa que deixaria o povo intrigado e perplexo). 
Perplexa fico eu... Como é que nos encontros e desencontros desta vida ainda não me cruzei com o tal ponto mediano entre o yin e o yang.

Alguém que goste de ouvir histórias, mas também as tenha para contar.
Alguém que vá aos meus sítios giros, mas que também me leve aos seus e que descubra novos comigo.
Alguém que se ria das minhas palermices, mas que também me faça rir com as suas.
Alguém que escolha o vinho e o caminho comigo.
E claro... podemos simplesmente existir, sorrir e ser giras juntas. :)

Entretanto...
Entretanto... estou com imensos planos para estas cinco semanas de férias.
Hoje fiz uma coisa absolutamente life changing e há muito adiada. A seu tempo falarei dela.
Tinha sabor a baunilha. É o que posso adiantar por agora.
Uns planos comigo, outros com a minha casa, uns com um jardim, com amigos, a Feira de São Mateus (que se eu não for lá comer duas farturas nem o verão me sabe a verão), montanhas, trilhos...
Entre eles.... London, baby! Yeah! :) Já era tempo.





de barriga cheia

Lazarillo de Tormes era um fidalgo, mas um figaldo esfaimado que se passeava de palito nos dentes para dar a ideia de que tinha acabado de comer uma lauta refeição.
Para se enganar a si? Aos outros? Ao universo?
Às vezes a todos ao mesmo tempo.

Féééérias, hein! :)

Depois de resmas de relatórios, exames corrigidos, horas seguidas de reuniões, fins de semana seguidos em clausura domiciliária eis que chegam as férias. E quando elas chegam a primeira coisa que faço é acertar o meu relógio interno com o horário nova iorquino. 
As pessoas dizem-me "ui deitas-te tão tarde..." "ai não aproveitas as manhãs..." 
Nada disso. Nesta altura em Portugal são 17:30, mas para mim é meio-dia e meio e vou fazer o almoço. 
Daqui a nada, volto à hora tuga, para acertar os tempos de convívio com os portugueses, senão só os via lá para setembro e muita coisa pode acontecer num mês. Pelo menos é essa a minha expetativa. 
Reparo que o Facebook está ainda mais moribundo do que no ano passado e há menos fotos de pezinhos na areia e de quartinhos de hotel com vista para a água. O que vem reforçar a ideia de que a melhor rede social é uma mesa com pessoas à volta e que estamos a perder a vontade de contar ao teclado o melhor que nos acontece na vida.

sorte e afins

Sorte é descobrir que deixei aberta a janela direita do carro durante 36 horas e que os óculos de sol DG e a máquina fotográfica mais o tripé se encontravam no interior da viatura, junto da qual passam as mais variadas pessoas, incluindo umas pessoas que me costumam pedir moedas e que provavelmente não estranhariam ser possuidoras de um óculos DG novos.

Entretanto, na fila do pão um velhote (velhote é com meiguice, eu também hei de ser velhota, se tudo me correr bem) enceta esta conversa à qual eu dou o seguimento mínimo da boa disposição e educação, quando me vê a inpecionar as moedas que trago (sim, o meu porta-moedas parede o de um arrumador de carrros):

Velhote - Ó menina, não me pague o pão...
Eu - Enquanto houver pão e trocos...
Velhote - Não me ligue. A minha mulher havia logo de dizer "Ele é um malandro, fala muito mas já não faz nada". Já tenho 80 anos.
Eu - Mas olhe que está muito bem.
Velhote - Feitinhos no dia 29 de abril.
Eu - E que faça muitos mais com saúde.
...
Menina da caixa - São 69 cêntimos.
Velhote - Sessenta e nove, hein?
Eu - É um bom preço.