Dez cidades do best!

Aqui.
E eu tive o prazer de ter estado em sete.
Quero ir a Praga, mas quando a neve desaparecer. Lá para a primavera. :)

a primeira pessoa que às vezes vejo de manhã

tem sido a Kate Perry. Eu acordo com o VH1 e lá calha acordar com esta imagem. Belas pernocas que a rapariga tem.



Há músicas

que me fazem companhia há muito tempo.
Antony and the Johnsons é música de outono definitivamente.  



matching

Ouvi uma vez algures que o sucesso de uma relação amorosa é encontrar alguém com fantasmas e dores que se deem bem com os nossos. 
Este é um assunto que me dá que pensar de há uns anos para cá, porque cada pessoa tem uma certa dose de sofrimento no espírito e uma determinada história de abandonos ou de frustrações emocionais. Aquilo a que comummente se chama de bagagem. Aqui a minha memória traz à tona uma imagem da cultura televisiva, da série "How I met your mother", em que Ted imagina essa bagagem como uma coisa física, vísivel e palpável, que cada um carrega, empurra ou puxa como pode. É uma cena bem engraçada. 

No meu caso pessoal. Eu não tive uma infância fácil e mesmo dito assim é eufemismo. Não estou a falar de contrariedades de princesa. Falo de coisas sérias e graves, que musculadamente tentei ultrapassar das mais variadas formas, e apesar delas tornei-me numa pessoa dócil, pacífica, sensível, conciliadora, capaz de se colocar na pele dos outros e de lhes dar a mão. Resiliência, talvez. E o afeto daqueles que passam por bem na minha vida.

Eu já me apaixonei por dois opostos. 
Por alguém que tinha tido uma história de vida rodeada de afetos, alguém que se sentia inequivocamente amada pelas pessoas que a rodeavam. Nunca senti que essa pessoa tenha entendido verdadeiramente o pequeno inferno de onde vim, preferia até nem perguntar muito.
E já me apaixonei por alguém que como eu foi muito mal amado, no mínimo esquecida num canto da fotografia familiar. À primeira vista, uma pessoa sente uma irmandade fora do comum, uma cumplicidade incrível das frases meio ditas, uma espécie de "tu sabes o que eu quero dizer". 
Mas esta paixão também não me levou a porto seguro. 

Acho que a forma como fomos amados influencia a capacidade de amar e se se sentir amado, mas a relação entre as duas não é tão direta como isso.
Como andamos sempre a tentar fugir do sofrimento, julgo que amar é uma decisão, em última análise. Nós decidimos amar alguém porque achamos que vamos sofrer menos ao pé daquela pessoa, porque achamos que a nossa existência terá um equilíbrio mais justo entre alegrias e dores, sendo que destas últimas sabemos que não podemos escapar. E se passarmos por elas com alguém a dar-nos a mão, não deixamos de as sentir, mas o calor da pele de outra pessoa por perto faz alguma diferença, porque, embora tudo o que nos acontece, acontece somente debaixo do nosso couro cabeludo, temos um sistema nervoso periférico.



under pressure

Infelizmente nos últimos tempos tenho visto alguns amigos e conhecidos meus a irem pela primeira vez, ou depois de muito tempo, a um psiquiatra, de onde saem com o diagnóstico "depressão".
Vinha a pensar nisto hoje e no facto de, ao fim do dia, ser completamente diferente chegar a uma casa com as luzes apagadas e uma em que as luzes já estejam acesas. Não quero com isto dizer que vou começar a engordar mais os lucros da edp durante o dia... You know what I mean...
Por outro lado, mesmo antes da crise chegar já eu tinha o diagnóstico e a receita aviada. Assim não caio tão espalhafatosamente. Infelizmente tem sido a minha rede nos últimos anos e não faço ideia até quando o será, mas cada dia que passa estou mais perto de andar no trapézio livremente.


Quotidiano

Devo ter sido a única portuguesa a não ter visto o jogo da seleção. Tinha tempo, mas não tem piada ver um jogo cujo resultado se sabe à partida. Ou alguém achava que a Fifa ia deixar passar a Suécia? Portugal renderá mais €€€ no Mundial do que a Suécia.

Futebol à parte, hoje pus-me a pensar na formas tão diversas como nós habitamos este planeta. Isto porque ando a ler um livro que foi um sucesso de vendas e que por isso mesmo me custou mais a chegar às mãos. 
"Mil sóis resplandescentes" passa-se no Afeganistão, país sobre o qual eu sabia muito pouco, mas que Khaled Hosseini me tem ajudado a descobrir. Acabei de ler há na semana passada, do mesmo autor, "E as montanhas ecoaram", que comecei apenas por ter a palavra montanhas no título.
O que mais de fascinante têm estes livros é o retrato que fazem das relações entre homens e mulheres e das relações familiares daquela zona da Terra. Há muito mais do que pó e talibãs.
Este "Mil sóis resplandescentes" conta a história de uma rapariga de 15 anos que se casa com um homem na casa dos 40 e de como vai entranto no papel de esposa que se transforma numa mulher diligente, triste, submetida a uma servidão silenciosa e aterrorizada por mostrar, dizer ou fazer algo errado.
Longe de eu ser feminista, há algo de muito interessante em compreender como outras mulheres vivem a sua vida. Mulheres que em vez de irem ao pingo doce comprar pão, levam a massa pronta de casa, enrolada num pano, que cozem no tandoor comunitário. Isto tudo feito com uma visão rendilhada providenciada pela burca, que de resto não se vende na Zara.





ao contrário das folhas outonais

Depois de:
- três fins de semana sem descanso
- três semanas de "comunicação de surdos" (o mercúrio lá saiu da sua posição retrógada no domingo, thank god)
- três semanas down childhood's memory lane
- um funeral
- um erro profissional que nunca tinha cometido e que muito me envergonhou
- uma viagem pela autoestrada à chuva com a violência no banco do lado
- a minha mãe ter sido internada compulsivamente (graças a 5 pessoas a segurarem-lhe as pernas e braços na urgência psiquiátrica)
- ter apagado a minha conta do facebook (até se respira outro ar)
- ter arrumado mais uma vez - à força - a minha vida afetiva (she's not that into me...)
entre outras coisas, paz de espírito é o que se quer. Ou serenidade. Ou sossego. Uma das três serve.


 a Katy Perry a piscar o olho ao pessoal LGBT


música para dançar em casa ao fim do dia

Isto porque estou proibida de ouvir a Emeli Sande. 





conversas fora de horas

Ando há três dias a dizer para mim que tenho de ter uma conversa séria com Deus. Em São Pedro Moel, que é um sítio com boa rede. Uma conversita de pé de orelha, não sei se para falar se para ouvir. Eu até nem sou muito de conversar com Deus. Não padeço da capacidade do Neale Donald Walsh, nem tão pouco da Alexandra Solnado. Geralmente, olho para as árvores e para as pessoas de quem gosto e fica a conversa feita.
Mas há momentos em que isso não chega.
Eis que hoje acordei ainda não eram 5 da manhã, coisa completamente inusitada para mim, que durmo até me deixarem ou até ter a bateria com a carga completa. Acordei com a memória fresca de um sonho extremamente vívido e nítido e com a emoção de gratidão profunda por ter acordado imediatamente do sonho com a lembrança clara da narrativa onírica. Foi um daqueles sonhos que nos deixam em paz com o mundo, que é como quem diz, com os fantasmas. 
Não me vou pôr por aí na rádio a suplicar ao estilo do Abrunhosa "Quem me leva os meus fantasmas?" porque os fantasmas já se foram e ficou o espaço vazio deixado por eles, como se fosse uma marca que deixamos num sofá, por termos estado muito tempo nele. 
Explicam os senhores da física, muito melhor do que eu, que o espaço e o tempo são capazes de ser a mesma coisa e o vazio é uma "anormalidade" da matéria, e, isto digo eu, sobretudo do espírito. Se eu já tivesse chegado ao nirvana, ao estado de iluminação budista, diria que o vazio (shunyata) é outra coisa, o estado de total espaciosidade em que as nossas ilusões se diluem.
Mas o vazio para um comum mortal é uma grande chatice, to say the least.
Voltando à parte em que Deus falou comigo, e pelo amor do mesmo não me internem já que eu tenho de ensinar português e inglês a mais de cem crianças (and still damn good at it!), entre outros afazeres e projetos que vou descobrir entretanto, que tenho de descobrir entretanto. Pois que acordei do sonho com a sensação de que Alguém me tinha dito algo valioso, que funciona como uma espécie de boost para o Caminho.
Levantei-me, vim até à sala e puxei do meu cadernito preto. Toquei o último single dos Coldplay em loop e escrevi três páginas. Fumei dois cigarros, bebi um iorgute líquido, deitei-me e adormeci outra vez.
Atlas, dos Colplay, porque carregar o peso não é uma coisa obrigatória.





Conchinha

Agora que as noites ficam mais frias, aqui fica um vídeo educativo que explica como fazer conchinha na hora do ó ó.
Se estiverem na mesma situação que eu - ou seja não têm com quem fazer conchinha -, esqueçam as notas mentais. Pelo menos dá para rir/sorrir, conforme a chuva que caia por dentro.




“I’ve had a lot of trouble in my life—most of which never happened.” - Mark Twain

Apontamentos soltos

#1
Estou a sentir-me apertadinha :D

#2
Ser "shopinha de massha" pode ser uma coisa adorável :D


Quase um mês depois


Como hoje comecei uma nova fase da minha vida (comecei uma correção ortodôntica) e mal consigo falar, pelo menos escrever acho que ainda consigo, apesar de não ter escrito grande coisa nas últimas semanas. 
Foi tudo muito sentido por dentro, todas as emoções vividas ao rubro, mas não me apeteceu colocar nada no papel. 
Desenhei mais do que escrevi. Descobri um hobby novo. Acho que vou começar a rabiscar e, apesar de não ter grande jeito, é como em tudo na vida: é preciso é convicção. :)

Londres foi para lá de bom! E eu a pensar que Paris era uma cidade bonita e charmosa... Paris é uma mulher díficil de conquistar, mas Londres é uma cidade em que a partir do momento em que pomos o pé nas suas ruas nos sentimos parte dela. Não se faz de esquisita e tem sentido de humor. 
Senti-me tão à vontade em Londres e devia estar com um ar tão londoner que me perguntaram por direções três vezes.
Neste momento, é a minha cidade preferida e vou voltar com toda a certeza, até porque fazer compras em Camden é do melhor. :) Encontrei umas japa malas por uma pechincha e comprei duas malas lindas de morrer. E uns lenços, e mais umas coisinhas giras. :)
Tate Modern: incontornável! A National Gallery tem uma coleção impressionante e ver os Van Goghs ao vivo é sempre uma emoção, mas a Tate Modern sacia os meus desejos por arte conceptual. 
A cidade toda no seu conjunto é uma maravilha de organização e civilização. Ainda dei por mim a pensar "como é que eu posso vir morar para aqui?".
Além do mais, passar do Hyde Park para o parque cá da minha pequena cidade não tem piada nenhuma.

Este verão foi de mais de cidades do que o normal. 
Fui à cidade berço do país, que vergonhosamente não conhecia e que me encantou. Guimarães é cheia de pinta.
Antes disso passei pela cidade portuguesa onde tenho mais amigos por metro quadrado e que infelizmente fica a 180 quilómetros. Valha-me o IP3.
E ainda fui dar um pulinho a Bruxelas, com passagem pela Torre Eiffel. Sim... a banda sonora da Amélie Poulain estava a tocar na minha cabeça.
 
A propósito de distâncias, isto da crise tem de acabar de vez. 
Por causa das reduções dos salários? Por este ano eu ter de gastar mais 50 euros por mês para me deslocar para o trabalho? Por causa do desemprego e da fome e pobreza que se instalou lamentavelmente na casa de muitas pessoas? Por causa disso e de tudo mais. Mas porque isto de ter uma das pessoas mais importantes para mim, de quem mais gosto e preciso (lá se vai o meu "desapego budista"...) a 2000 quilómetros não é nada fácil.

Enfim... Agora vou ali aprender a articular alguns dos sons do alfabeto porque estou um bocado sopinha de massa. Mas a Laranja tem os dentes tortos? Tem, mesmo não sendo um caso de fealdade extrema, porque estou cada vez mais jeitosa e nunca me senti tão bem na minha pele como agora, foi uma coisa que decidi: chegar aos 40 anos com um sorriso ainda mais bonito, já que eu adoro sorrir e faço-o com muita frequência.
Portanto, um sorriso rasgado para vocês. :D








Gosto de roadtrips e já fiz mais de quarenta mil quilómetros a viajar pela estrada fora, pela Europa. Desde os 23 anos que o faço e continuo a adorar aquela sensação de entrar numa estação de serviço de madrugada ou de manhã cedo a pensar que língua é que tenho de falar com a pessoa que tenho pela frente. É qualquer coisa que me faz feliz. 
O sítio mais distante: Budapeste. Viagem memorável, by the way. :) 
O sítio mais bonito: Paris.

Andar de comboio é qualquer coisa de extraordinário. A cadência, as sensações todas da ferrovia a inércia das curvas, os sons. Como eu entendo o Paul Theroux que cruzou uma boa parte do mundo de comboio e fez-nos o favor de escrever sobre isso.

Mas o avião... Prefiro o comboio, é certo, mas o avião fascina-me. A descolagem, a aterragem, as curvas no ar! Quando as rotações começam a aumentar, há quem se benza, há quem pegue num amuleto, há quem pense em mil coisas. Eu costumo dizer: entreguem-se às sensações. Às vezes é o melhor que temos a fazer. :)



o mundo às vezes (ok... muitas vezes) é um lugar triste



rise and shine

Eu gosto muito de manhãs. Até sou uma morning person. Acordo bem disposta e só preciso de uns segundos para ficar com os sistemas do bom humor completamente operacionais.
Do que eu não gosto é de acordar de manhã com aquela sensação de quem se despede da cama cedo demais. Por mim, eu desenhava o ritmo cicardiano de outra maneira e dormia menos, mas, infelizmente, sem oito horas de sono eu fico assim como uma carroça desengonçada que um vizinho meu lá da aldeia tinha.
Se já me deixei do horário nova iorquino? Pois teve de ser. Agora estou em modo GMT. 
Contudo, em tempo de férias não me importo de pôr o despertador. Há qualquer coisa de especial na luz das manhãs de férias e se durante um ano inteiro andei a acordar ao som desta, acho que nos próximos dias vai fazer ainda mais sentido. Let's roll!



oneness

The prevalent sensation of oneself as a separate ego enclosed in a bag of skin is a hallucination (...).

Alan Watts 
 

às vezes curto, às vezes demasiado longo



Oh heaven, oh heaven, I wake with good intentions, 
But the day... it always lasts too long 
Then I’m gone

Reservas: check!

Oh my god! É desta!

  

E instalada em Camden Town!
 Keep calm?! Keep calm, o catano! :D


pelo sim pelo não

Não contem comigo para estas coisas.

do feminino e afins

Quem lê o que eu escrevo por aqui já reparou que eu sou lésbica, uma lésbica que gosta de mulheres. 

Mas espera aí? Isso não é suposto ser assim?

Não... O género feminino tem toda uma paleta colorida, que vai desde a mulher com muito pêlo na venta mais masculina do que o meu pai até à princesa da ervilha. E todas elas gostam de mulheres. Mas nem sempre daquelas a que eu me estou a referir. 
Porém, isso dava umas quantas linhas, linhas essas que eu ainda estou a burilar na minha mente: o que é ser mulher? 
Tendo em conta que, desde que eu ando neste mundo, o nosso planeta só deu 36 voltas ao sol, eu própria ainda ando a descobrir isso. 

Talvez isso contribua para a minha felicidade, talvez não. 
Mas o que contribui mesmo para a minha felicidade é saber como gosto de ser tratada pelos outros. 
E isto é saber de experiência feito. Portanto, em jeito de resumo da matéria dada (pensavam que eu tinha deixado de férias os tiques de professora...)

Duas formas absolutamente irritantes de tratamento com que o género feminino me pode presentear:
#1 Ela sempre é um gentleman, faz uma espécie de vénia (como se fosse um cavalheiro do século XIX), acha que percebe tudo de vinhos, de fotografia, que sabe sempre o caminho e age como um homem mesmo não o sendo, tirando aquela parte do segurar a cintura com firmeza (que só os homens conseguem graças à sua musculatura, benza-a Deus). Senhores, se eu quisesse namorar com um homem, namorava, que pretendentes não faltam e a curiosidade já foi menor.

#2 Ela é uma princesa. Pode até ter quase 50 anos, mas é uma princesa. Faz pouco mais do que existir, sorrir e ser gira e agora o mundo que rode todo à sua volta, que a entretenha, que a passeie, que a faça rir, que a leve a muitos sítios giros e que lhe conte muitas histórias engraçadas. São doces, é certo, e sensíveis e meiguinhas e egoístas, mas não tarda estão a tratar-me como se eu fosse um homem e como tenho muito pouco jeito para tal coisa, tenho de sair de cena.

A sabedoria popular tem toda a razão em dizer que no meio é que está a virtude (mesmo não sabendo o povo que a sabedoria dele se aplica a um caso como este, coisa que deixaria o povo intrigado e perplexo). 
Perplexa fico eu... Como é que nos encontros e desencontros desta vida ainda não me cruzei com o tal ponto mediano entre o yin e o yang.

Alguém que goste de ouvir histórias, mas também as tenha para contar.
Alguém que vá aos meus sítios giros, mas que também me leve aos seus e que descubra novos comigo.
Alguém que se ria das minhas palermices, mas que também me faça rir com as suas.
Alguém que escolha o vinho e o caminho comigo.
E claro... podemos simplesmente existir, sorrir e ser giras juntas. :)

Entretanto...
Entretanto... estou com imensos planos para estas cinco semanas de férias.
Hoje fiz uma coisa absolutamente life changing e há muito adiada. A seu tempo falarei dela.
Tinha sabor a baunilha. É o que posso adiantar por agora.
Uns planos comigo, outros com a minha casa, uns com um jardim, com amigos, a Feira de São Mateus (que se eu não for lá comer duas farturas nem o verão me sabe a verão), montanhas, trilhos...
Entre eles.... London, baby! Yeah! :) Já era tempo.





de barriga cheia

Lazarillo de Tormes era um fidalgo, mas um figaldo esfaimado que se passeava de palito nos dentes para dar a ideia de que tinha acabado de comer uma lauta refeição.
Para se enganar a si? Aos outros? Ao universo?
Às vezes a todos ao mesmo tempo.

Féééérias, hein! :)

Depois de resmas de relatórios, exames corrigidos, horas seguidas de reuniões, fins de semana seguidos em clausura domiciliária eis que chegam as férias. E quando elas chegam a primeira coisa que faço é acertar o meu relógio interno com o horário nova iorquino. 
As pessoas dizem-me "ui deitas-te tão tarde..." "ai não aproveitas as manhãs..." 
Nada disso. Nesta altura em Portugal são 17:30, mas para mim é meio-dia e meio e vou fazer o almoço. 
Daqui a nada, volto à hora tuga, para acertar os tempos de convívio com os portugueses, senão só os via lá para setembro e muita coisa pode acontecer num mês. Pelo menos é essa a minha expetativa. 
Reparo que o Facebook está ainda mais moribundo do que no ano passado e há menos fotos de pezinhos na areia e de quartinhos de hotel com vista para a água. O que vem reforçar a ideia de que a melhor rede social é uma mesa com pessoas à volta e que estamos a perder a vontade de contar ao teclado o melhor que nos acontece na vida.

sorte e afins

Sorte é descobrir que deixei aberta a janela direita do carro durante 36 horas e que os óculos de sol DG e a máquina fotográfica mais o tripé se encontravam no interior da viatura, junto da qual passam as mais variadas pessoas, incluindo umas pessoas que me costumam pedir moedas e que provavelmente não estranhariam ser possuidoras de um óculos DG novos.

Entretanto, na fila do pão um velhote (velhote é com meiguice, eu também hei de ser velhota, se tudo me correr bem) enceta esta conversa à qual eu dou o seguimento mínimo da boa disposição e educação, quando me vê a inpecionar as moedas que trago (sim, o meu porta-moedas parede o de um arrumador de carrros):

Velhote - Ó menina, não me pague o pão...
Eu - Enquanto houver pão e trocos...
Velhote - Não me ligue. A minha mulher havia logo de dizer "Ele é um malandro, fala muito mas já não faz nada". Já tenho 80 anos.
Eu - Mas olhe que está muito bem.
Velhote - Feitinhos no dia 29 de abril.
Eu - E que faça muitos mais com saúde.
...
Menina da caixa - São 69 cêntimos.
Velhote - Sessenta e nove, hein?
Eu - É um bom preço.





a não desistir desde 1998

Em dia de greve, em que muito mal ouvi falar dos professores em geral e em abstrato, conforta-me o espírito esta mensagem de um aluno meu, deixada na ficha de autoavaliação, que no início do ano andava por volta dos 30% e agora chegou aos 60. Não vai ser meu aluno, mas prometeu-me que, no próximo ano, vai lutar pelo nível 4 e que vai continuar a ler muito, porque já descobriu o tipo de livros que ele gosta.


E sim. Fiz greve.

Namasté

Há muito tempo que não recebia Reiki. Desde o século passado. 
No sábado, calhou participar num evento zen, com vários participantes, entre eles voluntários da Associação Nacional de Reiki que estavam ali para proporcionar uma sessão a quem desejasse. 
Nem hesitei, porque apesar de não fazer Reiki com frequência, conheço bem os efeitos magníficos da terapia.
Entrei, deitei-me e no fim pensei que a minha facilitadora de Reiki me fosse dizer que tinha os chacras muito desalinhados, a energia desequilibrada e mais não sei o quê. 
Pelo contrário, disse-me ela que tinha sentido as minhas energias muito harmonizadas e que até tinha recebido coisas muito boas durante a sessão. (É natural... Eu fui fazendo Tonglen.)
À saída, dei-lhe um abraço, um gassho e saí dali a sorrir imenso, com aquela noção nítida que fazer parte dos momentos felizes das outras pessoas é das melhores coisas na vida. 


dar a mão, às vezes as duas até

Depois do post anterior, resta-me dizer que a minha pessoa preferida do universo é um homem: o meu mano.
Ele é a minha pessoa.
A nossa cumplicidade, a forma como ele me ampara, protege e ajuda é absolutamente extraordinária. Comovente.

Counting blessings (?)

Para mim, o copo está quase sempre meio cheio.
Não está frio, está frescote.
Pode estar a chover, mas tenho tecto. 
Não dormi tudo, mas tenho uma cama.
E por aí fora.

Mas a sério... Em três semanas, 3 das pessoas mais importantes para mim deixarem-me assim a modos que desamparada é coisa para me deixar mesmo, mas mesmo triste.

Tenho de parar com este padrão existencial de amparar os outros em momentos difíceis das suas vidas, de ser a animadora cultural, a psicóloga gratuita em horas que se fazem livres por eles, aquela que os faz rir quando só lhes apetece chorar, para depois eles passarem à frente, refeitos e energizados, esquecidos de mim.

E mais do que a tristeza do desapontamento, é a questão por responder: "O que fazer com essas pessoas na minha vida?" 
Não sei responder a isto.

Post para o meu amigo Gajo :)


Para veres que há pés bonitos. :)
Lavadinhos, com as unhas cortadinhas (de preferência sem verniz - keep it simple).



Como é que a Meg Ryan

sendo uma mulher baixa pode ter umas mãos tão grandes?
Mas aqueles caracóis no filme "A cidade dos anjos" são adoráveis. :)

Aquela história

de alguém achar que conhecermos a nossa cara-metade numa fila de supermercado é porque nunca faz as compras ao sábado de manhã, em que todas as donas de casa (bem-hajam, a sério) se abastecem com carrinhos de compras que custam empurrar, vestidas com a primeira coisa que apanharam ao despir o pijama (ou camisa de noite, para quem preferir) e sem tempo para pentes e escovas.
Ainda assim, eu faço compras em diferentes horas e dias da semana e aquela teoria não me parece viável de todo.

a minha música "take no bulsh*t"

na lista das mais rodadas do meu mp3

(Só resulta com o volume no máximo. O otorrino não gostará da ideia, mas a mim parece-me extraordinário.)

expressões do outro lado do Atlântico

Houve uma altura da minha vida em que aprendi umas quantas coisas com amigos do Brasil, sobre as expressões idiomáticas, sobre a vida nas favelas, a vida quotidiana ao redor das favelas, entre outras coisas.
De vez em quando ainda me lembro de uma ou outra expressão que me ensinaram.
Hoje calhou ser esta:

Parece o diabo chupando manga!

um bikini à espera do autocarro

Parece que ali para os lados de Lower East Side, alguém anda a tapar todos os dias a parte de baixo do bikini da Beyoncé.
Pois aqui neste blogue, a Beyoncé fica sem folhinha branca a escondê-la.



Se eu era capaz de cumprir uma promessa em Fátima?

Era pois, mas tinha de ser numa segway.

a matemática e as experiências místicas

Sobre a razão de uma professora de letras com 15 anos de carreira ter começado a estudar matemática, hei-de escrever mais tarde. Mas ontem estive a resolver problemas matemáticos.
E durante 45 minutos alhei-me completamente do mundo e do tempo. Dei pelas horas quando me deu a fome.
Estudar matemática impede o cérebro de entrar em fantasias.
Limita o pensamento acerca dos amores idos e dos amores por vir.
Agora entendi os adolescentes.

a pele que há nos outros

Este blogue é magnífico.
As mulheres são as criaturas mais fascinantes deste planeta. 

whisky cola

Não sei se foi da nova professora de hidroginástica (gira, mesmo gira), ou de ela me perguntar se nós já nos conhecíamos, ou do piscar de olho dela para mim, ou da música disco sound com o volume no máximo, mas hoje, a meio da aula, dei por mim a pensar em whisky cola.

O Alan Watts

era um tipo fixe e para lá de inteligente.
Se quiserem ler algo que rebente com os vossos horizontes mentais e vos ponha a olhar para a existência como nunca antes a viram, ponham as mãos num dos livros dele.

Quando eu não estiver a ver a dobrar, hei de escrever sobre isso.



Não sei se

é do excesso de trabalho ou de privação de coisas excitantes, mas já estou a ver a dobrar.




pede um desejo

Segunda-feira à meia-noite, no pinhal de Leiria, com a largueza toda do céu escuro, vou pedir um desejo. Se calhar até peço mais do que um.

uma limpeza de top

Eu costumo procrastinar afazeres e decisões e vou acumulando coisas, sobretudo papéis (coisas da profissão). Mas há um dia - há sempre um dia - em que ponho as mãos nos armários e vai tudo fora. Mesmo tudo.
E é assim como no resto da minha vida.
Tinha dito que ia fazer isso no verão, mas se calhar o verão chega mais cedo. :)



Da verdade do amor

Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito

pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados

não se deve explicar demasiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

José Tolentino Mendonça, in "Baldios"

Ninguém tem pena das pessoas felizes

Ninguém tem pena das pessoas felizes. Os Portugueses adoram ter angústias, inseguranças, dúvidas existenciais dilacerantes, porque é isso que funciona na nossa sociedade. As pessoas com problemas são sempre mais interessantes. Nós, os tontos, não temos interesse nenhum porque somos felizes. Somos felizes, somos tontaços, não podemos ter graça nem salvação. Muitos felizardos (a própria palavra tem um soar repelente, rimador de «javardo») vêem-se obrigados a fingir a dor que deveras não sentem, só para poderem «brincar» com os outros meninos. 
É assim. Chega um infeliz ao pé de nós e diz que não sabe se há-de ir beber uma cerveja ou matar-se. E pergunta, depois de ter feito o inventário das tristezas das últimas 24 horas: «E tu? Sempre bem disposto, não?». O que é que se pode responder? Apetece mentir e dizer que nos morreu uma avó, que nos atraiçoou uma namorada, que nos atropelaram a cadelinha ali na estrada de Sines. 
E, no entanto, as pessoas felizes também sofrem muito. Sofrem, sobretudo, de «culpa». Se elas estão felizes, rodeadas de pessoas tristes, é lógico que pensem que há ali qualquer coisa que não bate certo. As infelizes acusam sempre os felizes de terem a culpa. É como a polícia que vai à procura de quem roubou as jóias e chega à taberna e prende o meliante com ar mais bem disposto. Em Portugal, se alguém se mostra feliz é logo suspeito de tudo e mais alguma coisa. «Julgas que é por acaso que aquele marmanjo anda tão bem disposto?», diz o espertalhão para outro macambúzio. É normal andar muito em baixo, mas há gato se alguém andar nem que seja só um bocadinho «em cima». Pensam logo que é «em cima» de alguém. 

Ser feliz no meio de muita gente infeliz é como ser muito rico no meio de um bairro-de-lata. Só sabe bem a quem for perverso. 
Infelizmente, a felicidade não é contagiosa. A alegria, sim, e a boa disposição, talvez, mas a felicidade, jamais. Porque a felicidade não pode ser partilhada, não pode ser explicada, não tem propriamente razão. Não se pode rir em Portugal sem que pensem que se está a rir de alguém ou de qualquer coisa. Um sorriso que se sorria a uma pessoa desconhecida, só para desabafar, é imediatamente mal interpretado. Em Portugal, as pessoas felizes sofrem de ser confundidas com as pessoas contentes. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

replay



Irmãos químicos



Só para limpar os tímpanos da Emeli por um bocadinho.
Há dias em que não faço nada de jeito, mas fica tanta coisa feita.

E comboios? Os comboios, senhores?


Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver

bago de arroz
grão de areia
semente de linho
suspiro de pássaro
pedra de sal
som de regato
a coisa mais pequena do mundo
a sombra do meu nome
o peso do meu coração na tua pele.

Rosa Lobato de Faria

spam

Não bastava oferecerem-me soluções para aumentar o pénis e para aprender Inglês, agora enviam-me emails sobre como fazer com que um homem se apaixone por mim... Ao lado, senhores dos emails aleatórios, completamente ao lado.

a felicidade

são as coisas quotidianas mas com os pés dois centímetros acima do chão.

bandas sonoras

Tal como para os filmes há bandas sonoras, eu tenho as minhas para cada ano que passa.
No ano passado, foi a Lana del Rey, os Mumford and Sons, o Pablo Alboran, o Santaolalla, a Emily Haines, a Mindy Gledhill e a Pink.
A Emeli Sandé está no top para 2013.
Now... focus! Focus! 
Porque amanhã é um longo dia no batente.
(mas enquanto o batente não bate... play it again)


Amor como em Casa


Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"

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De vez em quando pego num livro de poesia e fico feliz como num dia de sol depois da chuva. 
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