A história

até certo ponto é simples. Uns miúdos de 11 anos não conseguiram reaver uma bola que foi parar a uma casa contígua à escola e decidiram que a melhor forma de se vingarem era atirar pedras à referida casa. Foram à direção, admitiram a asneira e voltaram a mostrar-se culpados à diretora de turma. Consideraram as crianças que o melhor era ressarcir o valor do vidro e pedir desculpas ao dono da casa. Até aqui, menos mal.

Passados uns dias, os respetivos pais chegam à escola a gritar, a duvidar da forma de questionamento que se fez às crianças, a referir tamanhos de pedras ("a minha só amandou uma pequenina e não podia ter acertado no vidro"), a justificar a atitude das crianças com a raiva de não terem visto devolvida a bola, entre outros arrazoamentos.
Quando deixei à consideração da consciência deles o pagamento do vidro, avançaram com o dinheiro...
Relativamente ao pedido de desculpas... uma vergonha. Se um filho meu fizesse aquela figura no contexto, levava um par de estalos (em casa, que é onde se educam as crianças).
Os miúdos estavam com o ar de quem vai à feira comer algodão doce. Tinham as costas quentes e não era do sol. No terreno do dono da casa, os pais questionaram-no com ar autoritário acerca do tipo de vidro substituído ("este é diferente, é melhor" - e não era nada...), sobre bolas e pedras e minutos exatos do estilhaços.

Eu até gosto de ser professora, quer dizer, de ensinar Português e Inglês. Palavra que gosto. Mas não me cabe ensinar que atirar pedras aos outros e aos seus bens não é correto, nem legal.
Hoje é um daqueles dias em que uma pessoa perde a fé toda na humanidade, nos valores da verdade e do bem.

Fazem o que querem, manipulam as palavras e os factos e explicam com as mais refinadas teorias o que não tem justificação nem desculpa.

5 comentários:

  1. E quando alguns papás trazem as crianças ao mundo e querem imputar a responsabilidade da educação à escola ?!? Oi ?

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    1. Estes pais nem isso fazem.
      "o meu rico menino" tem a educação da melhor que há. Em casa não há gritos, nem discussões, nem maus vícios. Ele tem tudo o que quer
      Pois... exatamente por isso.

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    2. "Ele tem tudo o que quer" E ouvir o não é do melhor que há para uma criança. Começam logo a fazer estágio para a vida.
      Abraço. :)

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  2. Esses pais também precisavam de uns bons pares de estalos...

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